ENSINAR NUTRIÇÃO OU EDUCAR PARA A CONSTRUÇÃO DE HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS?
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Será que tudo que comemos é apenas uma questão de escolha pessoal? Será que quando colocamos no nosso prato uma concha de feijão e duas colheres de arroz não dizemos quem somos, o que gostamos, quem são os nossos pais, onde vivemos e no que acreditamos?
Ao eleger a Educação Nutricional como um dos pilares do Programa de Alimentação Escolar, precisamos enxergar a amplitude que esse processo representa. Pois, através do ato de comer construímos a nossa identidade alimentar e cultural e estamos sinalizando um pertencimento, um código de reconhecimento social, uma história individual e de vida.
É necessário entender que o ato de se alimentar tem um significado que varia de acordo com cada cultura, constituindo-se em um patrimônio passado entre gerações e, o alimento além de nutrir o nosso corpo se constitui em uma linguagem, carregada de significações e simbolismos.
O homem não vem geneticamente preparado para a vida social, ele necessita dos alimentos culturais para informar sua ação e a cultura alimentar é o resultado de um longo processo de aprendizagem que se inicia no momento do nascimento e se consolida no contexto familiar.
Toda criança vive sua experiência infantil no interior de uma determinada família que está inserida numa determinada cultura que a dá significação. A infância é um período de intenso crescimento, desenvolvimento e aprendizado e os hábitos alimentares adquiridos, tendem a se solidificar na idade adulta.
Observamos atualmente que nossas crianças estão apresentando graves problemas de saúde (obesidade, anemia, colesterol alto, diabetes, hipertensão arterial) devido a uma alimentação inadequada. Este quadro de saúde pública é multifatorial e não podemos enxergá-la apenas do ponto de vista biológico, mas também vinculada aos aspectos culturais e sociais.
Portanto ações relacionadas a promoção de hábitos alimentares saudáveis devem ser implementadas.
Para pensar em Educação Alimentar e Nutricional, precisamos entender também que ela deve ser encarada como um trabalho sistemático, contínuo, multidisciplinar e de natureza complementar a familiar que não se exclui nem se dispensam mutuamente.
Neste aspecto, a escola tem um papel fundamental na promoção da saúde, pois propicia um ambiente que contempla a aprendizagem e a relação com a comunidade.
Entendemos que, para o desenvolvimento de Projetos efetivos de Educação Nutricional, a parceria com a Secretaria de Educação é fundamental, pois ela é a norteadora da concepção pedagógica seguida pelas Unidades Educacionais.
Portanto, os projetos de Educação Alimentar e Nutricional, conduzidos em observância com a linha pedagógica da Instituição, ganham credibilidade na medida em que possuem as mesmas diretrizes: a formação de uma criança autônoma, crítica, criativa e consciente do seu direito de escolha.
Neste contexto, o Programa de Alimentação Escolar não pode mais ser visto dentro de um foco assistencialista, mas ter sua visão ampliada, como direito constitucional e de múltiplas possibilidades educativas.
Cabe, portanto ao nutricionista o papel de difundir o PAE como espaço propício de aprendizagem e promoção da saúde e equipe escolar ser mediadora das ações relacionadas com a alimentação, fazendo assim, com que ocorra uma valorização de hábitos alimentares saudáveis que respeitem a identidade cultural e promovam a adoção de mudanças conscientes nas práticas alimentares.
A medida em que profissionais se conscientizam do papel educativo do Programa de Alimentação, as ações cotidianas, os tempos e espaços destinados a alimentação se tornam significativos, facilitadores e construtores de conhecimento.
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